Vídeo: Jerônimo Rodrigues é vaiado no desfile de 2 de Julho e erosão do PT na Bahia fica evidente

 

Governador petista enfrentou protestos durante cortejo cívico em Salvador, em mais um sinal de que o partido perde força no Nordeste

Um dos bastiões eleitorais mais importantes do PT no deu sinais claros de desgaste nesta quarta-feira, 2 de julho. Durante o tradicional desfile cívico da Independência do Brasil na Bahia, em Salvador, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi recebido com vaias e protestos por parte do público — um cenário impensável para um partido que governa o estado desde 2007 e que sempre tratou a Bahia como território inexpugnável.

Confronto direto com eleitora escancara insatisfação popular

Em um dos momentos mais emblemáticos do episódio, registrado em vídeo e amplamente compartilhado nas redes sociais, uma mulher se aproximou do governador e disparou: “Seu sorriso vai acabar. Em outubro, você vai vazar, governador.” A reação de Jerônimo Rodrigues foi afastar a mulher e seguir o percurso escoltado por apoiadores e sua equipe de segurança. A cena viralizou e reacendeu o debate sobre a real popularidade do PT no Nordeste.

Polarização com ACM Neto marca o cortejo

O desfile também evidenciou a disputa que promete definir o cenário político baiano em 2026. O ex-prefeito de Salvador (União Brasil), herdeiro político do grupo liderado por seu avô, Antônio Carlos Magalhães, desponta como principal adversário de Jerônimo na corrida pela reeleição.

ACM Neto também recebeu vaias ao chegar ao desfile, mas tratou o episódio com naturalidade. Em entrevista coletiva, foi direto: “Aplausos, vaias… isso tudo faz parte da beleza da democracia. A gente já está adaptado.”

Bahia governada pelo PT há quase duas décadas mostra rachaduras

O estado é governado pelo PT ininterruptamente desde 2007, e foi justamente essa longevidade no poder que transformou a Bahia em peça-chave para o projeto nacional do partido. Na de 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou 72,11% dos votos válidos no estado e venceu em aproximadamente 90% dos municípios baianos. No mesmo pleito, Jerônimo Rodrigues se elegeu governador já no primeiro turno, com 52,79% dos votos válidos.

No entanto, as vaias no desfile de 2 de Julho — um dos eventos mais simbólicos do calendário político baiano, que reúne anualmente autoridades, movimentos sociais e milhares de cidadãos nas ruas de Salvador — sugerem que a hegemonia petista no Nordeste já não é tão sólida quanto os números eleitorais de 2022 faziam crer.

Ausência de Lula no desfile levanta questionamentos

Outro fato que chamou atenção foi a ausência do presidente Lula no cortejo. Desde a de 2022, o petista havia transformado o desfile do 2 de Julho em uma das principais agendas políticas do calendário baiano, participando anualmente das comemorações da Independência da Bahia. Desta vez, porém, Lula optou por não ir a Salvador e manteve compromissos no interior do estado apenas no dia 1º de julho.

Estratégia para distanciar Lula de

Segundo interlocutores do partido ouvidos pela VEJA, a mudança de agenda está relacionada ao esforço da pré-campanha presidencial para reduzir a exposição pública de Lula ao lado do senador Jaques Wagner (PT-BA), um de seus aliados históricos mais próximos. O ex-governador da Bahia deixou recentemente a liderança do governo no Senado após ter seu nome citado nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Apesar da tentativa de distanciamento, Lula esteve ao lado de Wagner na quarta-feira, durante agenda em Alagoinhas, no interior baiano. No discurso, voltou a chamá-lo de “irmão” — um gesto que, segundo relatos de dirigentes petistas, provocou incômodo entre integrantes do partido e da equipe responsável pela estratégia eleitoral de 2026.

PT enfrenta sinais de esgotamento no Nordeste

O conjunto de episódios — vaias ao governador, ausência calculada de Lula, desgaste de alianças internas e o avanço de adversários como ACM Neto — compõe um cenário preocupante para o PT. O partido, que durante anos tratou o Nordeste como seu quintal eleitoral seguro, agora precisa lidar com uma realidade diferente: a de que o apoio popular pode estar se dissipando justamente onde parecia inabalável.

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