Mulher foi localizada por sistema de monitoramento enquanto cuidava da mãe
Uma servidora pública estadual de 63 anos foi detida na manhã desta sexta-feira em Botucatu, interior de São Paulo, após ser identificada por câmeras de segurança durante deslocamento pelo centro da cidade. Eliana Lázaro da Silva estava sob mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal.
O mandado havia sido emitido em 27 de abril, como consequência da condenação a 14 anos de prisão em regime fechado por crimes vinculados aos eventos de 8 de janeiro de 2023, ocorridos em Brasília.
Captura através de tecnologia avançada
A detenção aconteceu em um posto de combustíveis localizado na Avenida Floriano Peixoto. Conforme dados da Guarda Civil Municipal, o automóvel da servidora foi identificado pelo sistema denominado ‘Muralha Virtual’, tecnologia que emprega câmeras para reconhecer placas veiculares e comparar informações com bancos de dados de pessoas procuradas pela Justiça.
Após o alerta ser disparado pelo Centro de Operações Integradas, as equipes da corporação conseguiram localizar o veículo em questão de segundos. A mulher foi comunicada sobre o mandado e levada ao plantão policial sem apresentar qualquer tipo de resistência, segundo consta no boletim de ocorrência.
Processo judicial e penalidades
A prisão foi confirmada na delegacia, e posteriormente a servidora foi transferida para a Cadeia Pública de Itatinga, onde aguardará audiência de custódia. O local definitivo para cumprimento da sentença ainda não foi determinado pelas autoridades.
A condenação foi estabelecida pela Primeira Turma do STF durante julgamento virtual realizado em fevereiro. De forma unânime, os ministros determinaram a pena de 14 anos de prisão em regime fechado, acrescida de 100 dias-multa para a ré.
A decisão judicial também estabeleceu indenização mínima de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, valor a ser quitado solidariamente entre todos os condenados pelos mesmos crimes.
Crimes identificados no processo
De acordo com o acórdão, as acusações incluem tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa. O tribunal considerou demonstradas tanto a autoria quanto a materialidade das ações no âmbito dos denominados ‘crimes multitudinários’, terminologia utilizada para caracterizar condutas executadas por grupos em contexto de desordem.
Rotina após os acontecimentos
Segundo informações do advogado de defesa, Ézio Fusco Junior, Eliana mantinha uma vida cotidiana normal após os episódios de janeiro de 2023. ‘Ela levou a vida dela normal’, declarou o defensor. Conforme relatado, a cliente exercia atividades profissionais em uma central de polícia e prestava cuidados à mãe idosa.
A servidora havia participado de uma excursão que partiu de Botucatu e região com destino à capital federal. No retorno, o ônibus em que viajava foi interceptado pela Polícia Rodoviária Federal no quilômetro 35 da rodovia Transbrasiliana (BR-153), no município de Onda Verde. O veículo transportava 45 pessoas que retornavam de Brasília.
Conforme relato da defesa, a cliente demonstrou reação negativa à decisão judicial. ‘Ela ficou triste e indignada’, informou o advogado, acrescentando que ‘no entender dela, ela’ não havia cometido os crimes pelos quais foi condenada.

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