Documento do Departamento do Tesouro americano impôs sanções a brasileiros e empresas ligadas à facção por lavagem de dinheiro
Sanções aplicadas pelo governo norte-americano atingiram dois cidadãos brasileiros e quatro empresas acusadas de operar esquemas financeiros a serviço do Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida foi detalhada em um documento publicado na quarta-feira (1º) pelo Departamento do Tesouro dos EUA.
Facção descrita como ameaça transnacional em expansão
No mesmo relatório, o governo americano definiu o PCC como a “maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental”. A facção brasileira, segundo o texto, vem ampliando suas “operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão”.
Em relação ao território dos EUA, o documento é categórico: o PCC “representa uma ameaça criminal real e crescente”.
Quem são os sancionados
Entre os alvos das sanções está Victor Henrique de Oliveira Shimada, identificado pelo Tesouro americano como líder do núcleo paulista da rede criminosa. Shimada teria atuado como intermediário entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais. De acordo com as investigações, ele lavou mais de 30 milhões de dólares (R$ 156,3 milhões) gerados em diversas cidades dos EUA.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como colaboradora de Shimada, também foi incluída na lista de sancionados.
Empresas atingidas pela decisão
As sanções recaíram sobre quatro empresas:
- Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia
- Pixwave Soluções de Pagamentos
- Wave Construções Inteligentes
- Avenidas Flutuantes Unipessoal (sediada em Portugal)
Conforme o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês), esse grupo utilizava o sistema financeiro norte-americano para lavar recursos provenientes do tráfico de drogas.
PCC e Comando Vermelho já são considerados organizações terroristas
A classificação do PCC como ameaça ocorre semanas depois de o Departamento de Estado dos EUA ter designado tanto a facção quanto o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão foi formalizada no dia 29 de maio.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se posiciona contra a medida. Lula argumenta que a classificação abriria caminho para uma possível intervenção militar dos EUA no Brasil — cenário negado pelo governo norte-americano.
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