Mensagens reveladas pela PF expõem ordem explícita do ex-dono do Master e uso de identidade policial falsa para intimidar suspeito na Riviera Francesa
O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de documentos da investigação nesta sexta-feira, 11. Entre o vasto material extraído pela Polícia Federal, uma ordem direta do banqueiro Daniel Vorcaro chamou a atenção dos investigadores por sua brutalidade incomum.
A mensagem que chocou a investigação
Em 25 de julho de 2025, Vorcaro enviou uma mensagem a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, líder da chamada “Turma” — grupo responsável por acessar inquéritos policiais de forma ilegal e intimidar desafetos com práticas comparáveis às de organizações mafiosas. O banqueiro estava revoltado com uma suposta filmagem não autorizada de sua filha.
“Um Filho da p*** me filmou com a stella minha filha e esta espalhando internet (sic)”, escreveu Vorcaro. Logo em seguida, sentenciou: “Preciso matar esse cara”. O Sicário quis saber quem era o alvo e prometeu: “Vou pra cima…” Segundos depois, o ex-dono do Master encaminhou um contato de celular com prefixo internacional do Reino Unido, identificando-o como “alguém que estava na mesa com esse idiota”.
Ordem para se passar por agente da Polícia Federal
Vorcaro instruiu seu subordinado a ligar para o clube de praia Casa Amor, em Saint-Tropez, na Riviera Francesa, onde o suposto registro teria ocorrido. A orientação era que o Sicário se apresentasse como agente da Polícia Federal brasileira e exigisse os nomes de todas as pessoas que estavam na mesa com o titular do número britânico.
As mensagens seguintes deixaram evidente a fúria do banqueiro. “Filha da p***. To afim de ir la agora. Tava com stella. Minha filha. Ai nao da pra admitir (sic)”, desabafou Vorcaro.
Contato britânico nega envolvimento na filmagem
Cerca de uma hora depois, o Sicário repassou ao chefe capturas de tela de uma conversa entre Marilson Roseno Silva, policial federal aposentado e integrante da “Turma”, e o contato britânico que havia sido identificado por Vorcaro. O estrangeiro negou qualquer participação no episódio.
“Alguém disse que eu gravei um vídeo de Daniel, mas não fui eu. Nunca gravei esse vídeo, não sei quem o gravou. Me desculpe, mas não tenho nenhuma informação sobre isso. Não sei do que você está falando”, respondeu o homem, em mensagens de texto redigidas em inglês.
Nomes fornecidos e negativa reiterada
Pressionado com mais perguntas de Silva, o interlocutor forneceu os nomes de quatro amigos americanos que estariam à mesa “e algumas garotas suecas conosco”. Questionado sobre se era blogueiro, o estrangeiro explicou que ele e Vorcaro haviam se encontrado uma vez no Rio de Janeiro, mas que não o conhecia bem. Afirmou categoricamente que nem ele nem seus companheiros de mesa tinham qualquer relação com a suposta gravação da filha do banqueiro.
Desfecho inconcluso e morte do Sicário
Conforme o relatório da PF, após repassar as respostas do contato britânico, o Sicário perguntou a Vorcaro qual seria o próximo passo. Os documentos não registram se houve resposta do mandante da abordagem, tampouco indicam se alguma outra ação foi tomada em relação à revolta do ex-dono do Master com a suposta gravação.
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