Presidente desiste de reenvio imediato e avalia cenários pós-eleitorais para vaga no Supremo
A estratégia do presidente Lula em relação à vaga aberta no Supremo Tribunal Federal mudou de rumo. Até o mês passado, o petista sustentava a intenção de reenviar o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para apreciação do Senado. Agora, os cenários trabalhados pelo Planalto são dois: submeter a indicação logo após a eleição ou postergar a decisão para fevereiro, já com uma nova legislatura em curso e a possibilidade de troca na presidência do Senado.
O que motivou o recuo de Lula
As declarações inflamadas de Lula sobre um reenvio imediato surgiram quando pesquisas internas do Planalto — os chamados “trackings” — detectaram ligeira recuperação na desgastada popularidade do presidente, especialmente após embates com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). No entanto, Lula acabou demovido da ideia.
Embora não admita publicamente, o recuo tem relação direta com a postura de Alcolumbre, que segurou votações de interesse do governo — entre elas, o projeto do fim da escala 6×1, acompanhado de perto pelo petista. Além da má vontade do senador amapaense, uma regra interna do Senado impede que a mesma nomeação seja votada duas vezes dentro do mesmo ano.
Cenários para a indicação ao STF
Caso a decisão seja antecipar o envio ainda em 2026, o movimento dependerá do resultado eleitoral. Se Lula for derrotado nas urnas, a expectativa é que a indicação seja encaminhada já contando que a questão acabará nos tribunais — possivelmente no próprio STF. Hoje, porém, o cenário mais provável é que a questão fique para fevereiro, quando a nova legislatura se inicia.
Quanto ao próprio Jorge Messias, ele não demonstrou resistência a um eventual reenvio, mas também não está se mobilizando ativamente para isso. A avaliação é de que o grosso do trabalho ficará por conta da articulação política de Lula, e somente depois Messias entraria em campo para conquistar apoios. Uma rejeição histórica por duas vezes levantaria questionamentos inevitáveis.
96 vetos presidenciais acumulados no Congresso
Enquanto a novela da vaga no STF se desenrola, o Congresso Nacional acumula 96 vetos presidenciais pendentes de análise. Alguns estão parados há mais de três anos, como o veto nº 9/2023, aplicado por Lula (PT) em junho do primeiro ano de mandato. Esse veto recaiu sobre a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima.
Do total acumulado, 84 vetos estão “sobrestando a pauta” — ou seja, pelo regimento, deveriam ser votados antes de qualquer outra matéria legislativa.
Destaques entre os vetos
- Lula vetou o aumento de pena para roubo qualificado com lesão corporal grave, sob o argumento de que a pena mínima passaria a ser superior à do homicídio qualificado.
- O presidente vetou integralmente a lei que reconhece estágios como experiência profissional, alegando que a medida “compromete seleção de concursos públicos”.
- São 16 vetos totais a leis aprovadas; os demais são parciais, incluindo um que atinge o projeto da Copa do Mundo Feminina de 2027.
Defeso eleitoral entra em vigor
A partir do sábado (4), conteúdos de sites governamentais deixaram de ser atualizados. Trata-se do chamado “defeso eleitoral”, que proíbe publicações — inclusive digitais — capazes de favorecer campanhas de autoridades. A restrição passou a abranger também a Polícia Federal, antes tratada como órgão de Estado e não de governo.
Bastidores políticos em ebulição
O deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS) criticou o gesto obsceno de Lula, que mostrou o dedo do meio durante discurso em Brasília: “Quanta classe para um presidente. Será que estava bêbado?”, indagou o parlamentar.
No campo jurídico, houve reviravolta no caso envolvendo Marco Buzzi, ministro do STJ acusado de assédio sexual. Uma das supostas vítimas prestou depoimento em cartório afirmando que nada aconteceu e que ele sempre foi respeitoso. O documento será juntado aos autos do processo.
A eventual desistência de Michelle Bolsonaro (PL) de disputar cargo eleitoral neste ano já movimenta a política do Distrito Federal. Inimigos e, sobretudo, aliados refazem suas estratégias diante da possibilidade de mudança.
O senador Jorge Seif (PL-SC) avalia que, enquanto Lula e aliados se preocupam com as sanções dos EUA sobre o crime organizado, a oposição avança na construção de parcerias reais para enfrentar facções criminosas.
Eduardo Bolsonaro denunciou elo entre o filho de Lula e o PCC. Para o ex-deputado, “é provavelmente por isso” que o petista fez “lobby a favor do PCC”, contra a ideia de os EUA designarem o grupo como terroristas.
O presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, promove reunião ainda nesta quinzena para enquadrar representantes de plataformas digitais e de institutos de pesquisa. O objetivo é alinhar procedimentos antes das eleições.
Poder sem Pudor: Croquis voador
Estudantes de engenharia curitibanos, do saudoso Projeto Rondon, mudaram a face de João Câmara (RN). Reformaram o coreto, a praça, até construíram um chafariz. Deixaram saudades. Meses depois, o prefeito recebeu um recado: os estudantes precisavam de um croqui das obras que ajudaram a realizar, para um trabalho de conclusão de curso. O prefeito não entendeu direito, mas, solícito, foi aos Correios e ditou um telegrama: “Impossível encontrar conquis, mas segue a melhor craúna da região.” Em Curitiba, estudantes perplexos receberam do prefeito um pássaro preto.
Frase do dia
“Já vencemos uma vez, venceremos de novo” — Nikolas Ferreira (PL-MG) ao reforçar apoio a Flávio Bolsonaro em evento do PL.
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