Estadão classifica programa econômico de Lula como farsa que não convence mais o eleitor

 

Editorial do jornal critica propostas do PT e aponta uso de gambiarras fiscais no governo

Um duro editorial publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, disparou contra o programa de governo apresentado pela campanha do presidente Luiz Inácio da Silva (PT), que busca o quarto mandato nas eleições de outubro. Para a publicação, o conjunto de propostas petistas configura uma farsa que não cola mais junto ao brasileiro.

Propostas econômicas tratadas como “pilha de insultos”

O alvo central do texto é a área econômica. Segundo o Estadão, as propostas do PT para o setor representam “uma pilha de insultos”. O editorial questiona diretamente o que o partido chama de reorganização fiscal, descrevendo a atuação do governo como uma sequência de manobras contábeis.

“O que os petistas chamam orgulhosamente de ‘reorganização fiscal’ foi uma série de gambiarras para driblar o arcabouço fiscal que o próprio governo criou para substituir o desmoralizado teto de gastos. Tudo a pretexto de atender a situações ‘excepcionais'”, diz o Estadão.

“O excepcional se tornou regra”, aponta o jornal

Na avaliação do editorial, o governo Lula transformou exceções em rotina administrativa. O texto vai além e atribui esse comportamento à própria essência do partido.

“Não é um acidente: é a natureza do PT – e por isso não se deve esperar nada de diferente num eventual quarto mandato de Lula, por mais que a atual tente sugerir o contrário”, prossegue o jornal.

Debate orçamentário e responsabilidade presidencial

O Estadão reconhece que o Brasil enfrenta carências sociais significativas, mas rechaça a ideia de que os possam ser tratados como fonte inesgotável de recursos. O editorial defende que cabe ao presidente da República, como principal liderança política do país, conduzir o debate orçamentário de forma responsável.

“É evidente que o Brasil tem grandes carências sociais que precisam ser enfrentadas, mas não a partir da presunção de que o Tesouro é uma milagrosa cornucópia”, afirma o texto. “Por isso, cabe ao presidente da República, na condição de principal líder político do país, a condução do debate orçamentário, negociando com o Congresso cortes de despesas para que haja recursos suficientes para aquilo que se estabeleceu como prioridade”, diz o editorial.

Criatividade contábil e emendas parlamentares

O artigo também critica a forma como o governo lida com o Congresso Nacional. Em vez de negociações legítimas sobre prioridades orçamentárias, a gestão petista optaria por artifícios contábeis e pela satisfação do apetite parlamentar por emendas.

“No Brasil de Lula, contudo, não é preciso negociar nada. Basta ser criativo na hora de lançar as despesas na planilha, retirando-as do arcabouço fiscal sob os mais diversos pretextos, e saciar o apetite dos parlamentares por emendas para que não façam oposição de verdade. Enquanto isso, a aritmética se impõe, razão pela qual será necessário aumentar ainda mais a carga tributária”, destaca o Estadão.

A reportagem original foi assinada pelo jornalista Fábio Matos na Revista Oeste. O editorial do Estadão reforça uma linha de crescente ceticismo da imprensa em relação à política econômica do governo e às promessas de campanha do PT para um eventual mandato de Lula.

Postar um comentário

0 Comentários