Presidente americano foi transportado de forma oculta após alerta israelense sobre plano iraniano de assassinato
Uma operação secreta de segurança envolvendo um caminhão de alimentos e a substituição de aeronave foi utilizada para retirar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da Turquia, de acordo com reportagem publicada pelo The Washington Post. A manobra foi motivada pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e por informações de inteligência que indicavam uma possível ameaça iraniana direta contra o presidente americano.
Israel compartilhou alerta de inteligência sobre plano contra Trump
O nível de preocupação com a segurança presidencial subiu drasticamente depois que Israel repassou aos Estados Unidos dados de inteligência a respeito de um suposto plano específico do Irã para assassinar Trump. A informação foi divulgada por veículos americanos em 9 de julho, um dia após a passagem do presidente pela Turquia.
Autoridades americanas já vinham monitorando possíveis ameaças contra Trump, mas o alerta israelense teria indicado um risco mais concreto e direcionado. O próprio presidente reconheceu a situação durante a viagem.
“Eles querem eliminar o líder dos EUA, eu”, afirmou Trump. Segundo a AFP, ele também declarou que estava “em todas as listas” de possíveis alvos iranianos.
Como funcionou a operação de retirada da Turquia
Trump estava em Ancara para a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Ao término do evento, ele chegou a anunciar na Truth Social que deixaria o país a bordo do novo Air Force One, um Boeing 747 recebido como presente do Catar.
Porém, momentos antes da decolagem, houve uma mudança de planos. O presidente optou pelo antigo avião presidencial — ao menos era o que aparentava. Segundo o Washington Post, a operação foi muito mais elaborada: Trump teria embarcado em um C-32A, uma aeronave militar de menor porte, após ser conduzido de maneira discreta dentro de um caminhão de catering, normalmente utilizado para transportar alimentos e suprimentos até as aeronaves.
A estratégia criou a impressão de que o presidente seguia no antigo Air Force One. Jornalistas e parte da equipe presidencial embarcaram nesse avião, sem saber que Trump já havia partido em outra aeronave. O objetivo era dificultar a identificação da localização exata do presidente em um momento de confronto militar direto com o Irã.
Tensão militar entre Washington e Teerã estava no auge
Na mesma semana da cúpula da Otan, os dois países protagonizaram uma troca intensa de ataques. As forças americanas atingiram dezenas de alvos iranianos, enquanto o Irã respondeu com drones e mísseis direcionados a posições dos EUA no Oriente Médio, incluindo bases militares no Bahrein e no Kuwait.
A disputa também envolvia o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte mundial de petróleo. De acordo com o Washington Post, os ataques americanos foram desencadeados após ofensivas iranianas contra embarcações na região.
Durante a cúpula em Ancara, Trump declarou que considerava encerrado o cessar-fogo entre os dois países e sinalizou a possibilidade de novos ataques contra o Irã.
Justificativa oficial para a troca de avião
Antes da revelação da operação secreta, a mudança de aeronave já havia gerado especulações. Trump viajou para a Turquia no novo Air Force One, o Boeing 747 do Catar adaptado para uso presidencial. Na volta, porém, anunciou que retornaria em um modelo mais antigo.
Na ocasião, o presidente justificou a decisão afirmando que o avião novo seria levado ao Reino Unido para que militares americanos pudessem conhecê-lo e disse que voltaria no modelo anterior “por nostalgia”.
A troca de avião coincidiu com o pico das tensões com o Irã. Havia, inclusive, questionamentos sobre os sistemas de defesa da aeronave cedida pelo Catar, que não contava inicialmente com os mesmos mecanismos de proteção dos aviões presidenciais americanos mais antigos.
Trump negou que a ameaça iraniana tenha motivado a substituição. Quando perguntado sobre o tema, reafirmou estar constantemente sob ameaça e repetiu que é um dos principais alvos do Irã.
Trump ameaçou resposta militar massiva
Em 11 de julho, poucos dias depois do episódio na Turquia, Trump revelou ter ordenado que as Forças Armadas americanas se mantivessem em prontidão para uma eventual resposta caso o Irã tentasse assassiná-lo. O presidente chegou a afirmar que mil mísseis estavam preparados para serem lançados contra o país e ameaçou destruir completamente áreas iranianas.
Essas declarações vieram logo após os ataques recíprocos entre os dois países e das ameaças de retomada das ofensivas feitas por Trump.
Um dos momentos mais críticos da escalada
A saída secreta da Turquia aconteceu em um dos períodos mais delicados da relação entre Washington e Teerã, marcado por ataques militares, ameaças públicas e alertas de inteligência sobre possíveis planos contra o presidente americano.
O Washington Post afirma ter reconstruído os detalhes da operação a partir de fontes familiarizadas com o deslocamento presidencial e de materiais relacionados à viagem. Todas as fontes ouvidas pelo jornal falaram sob condição de anonimato.
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