Roberto Sánchez alega irregularidades e mobiliza manifestações mesmo após observadores internacionais atestarem normalidade da votação
Mesmo com missões de observação da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da UE (União Europeia) afirmando que a votação transcorreu normalmente, o candidato de esquerda Roberto Sánchez se recusa a aceitar os números da apuração e convocou protestos em Lima para a sexta-feira. O partido do candidato também entrou com recursos judiciais buscando anular votos a favor de Keiko Fujimori.
Vantagem crescente de Fujimori na apuração
Com 99,38% dos votos apurados nesta quinta-feira (18), a candidata de direita Keiko Fujimori detinha 50,11% dos votos válidos, contra 49,89% de Sánchez. A diferença entre os dois era de 39.115 votos — margem estreita, porém em crescimento constante ao longo da contagem.
Apenas 0,6% dos votos restavam para serem processados. Os aproximadamente 140 mil votos contestados ainda pendentes vinham majoritariamente de Lima e de peruanos residentes no exterior — regiões onde Fujimori obteve apoio significativamente maior que seu adversário.
“Essas são áreas em que Keiko Fujimori deve ter uma vantagem”, disse Gonzalo Márquez, diretor da consultoria de dados Caleidos. “Portanto, não há possibilidade, digamos, de que o resultado mude.”
Esquerda rejeita o resultado e pressiona nas ruas e nos tribunais
Apesar do cenário desfavorável e das avaliações positivas dos observadores internacionais sobre o processo eleitoral, o campo de Sánchez optou por questionar a legitimidade da apuração. Além da convocação de manifestações populares, o partido do candidato de esquerda recorreu à Justiça pedindo a anulação de votos computados para Fujimori.
A postura contrasta com o posicionamento da OEA e da UE, que instaram separadamente os candidatos e o país a aguardarem com paciência o resultado oficial.
Quarta tentativa e possível marco histórico
Esta é a quarta vez que Keiko Fujimori, filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori, disputa a Presidência do Peru. Nas três ocasiões anteriores, ela foi derrotada em segundo turno. A mais recente derrota aconteceu em 2021, quando perdeu para o candidato de esquerda Pedro Castillo por apenas 44.200 votos.
Caso a vantagem se confirme ao fim da apuração, Fujimori se tornará a primeira mulher eleita diretamente para a Presidência do Peru.
País em suspense desde o segundo turno
O Peru vive em clima de expectativa desde o segundo turno realizado em 7 de junho. A lenta revisão e recontagem dos votos contestados prolongou a indefinição, mas os dados disponíveis indicam que a tendência favorece a candidata de direita de forma consistente.

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