Motta utiliza avião da FAB em viagem de Ano Novo sem agenda oficial

 


Deslocamento ao Rio ocorreu com dados sob sigilo e sem compromissos registrados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para viajar ao Rio de Janeiro no fim de dezembro. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.

Segundo a reportagem, o voo partiu de João Pessoa na manhã de 26 de dezembro e aterrissou no Aeroporto Santos Dumont no início da tarde. A aeronave transportou 11 passageiros, conforme os dados publicados.

Réveillon em Angra e hospedagem de alto padrão

Sem compromissos oficiais registrados no período, Motta passou o réveillon em Angra dos Reis. Ele ficou hospedado em um condomínio de alto padrão no bairro do Frade, em uma casa alugada.

A agenda institucional da Presidência da Câmara não aponta compromissos na data do deslocamento. O último evento oficial de Motta ocorreu em 16 de dezembro. Três dias depois, já em Brasília, o parlamentar encontrou  e informou que viajaria a João Pessoa para passar o Natal.

Sigilo de passageiros e questionamentos éticos

A FAB não divulgou a lista de passageiros do voo. De acordo com a Aeronáutica, a relação é omitida quando o pedido envolve “segurança”. A legislação autoriza autoridades a requisitarem aeronaves oficiais com base nesse critério.

Especialistas, no entanto, questionam a prática sob o ponto de vista ético, sobretudo quando recursos públicos são utilizados em deslocamentos de caráter privado e sem compromissos institucionais registrados.

Viagem anterior também ocorreu sob sigilo

Não foi a primeira vez que Hugo Motta recorreu ao mesmo mecanismo. Em novembro, o presidente da Câmara utilizou uma aeronave da FAB para viajar a Buenos Aires, onde participou do evento jurídico informalmente conhecido como “Gilmarpalooza”, organizado pelo ministro do STF .

Na ocasião, Gilmar Mendes viajou no mesmo voo, que transportou dez passageiros. Tanto a Câmara quanto a Aeronáutica negaram ao jornal o acesso às informações com base na Lei de Acesso à Informação. Os órgãos mantiveram sob sigilo a lista de passageiros e os custos operacionais, informando apenas que a tripulação teve custo aproximado de R$ 10,6 mil.

Decreto exige transparência sobre acompanhantes

Um decreto de 2020 determina que o órgão solicitante de aeronaves da FAB esclareça quem acompanha a autoridade nos voos oficiais. Apesar disso, os dados relacionados às  de Motta permaneceram restritos, o que voltou a levantar críticas sobre transparência e uso de bens públicos.


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