Conselho de Ética da Câmara aprovou representação contra Erika Hilton por quebra de decoro parlamentar após publicação polêmica nas redes sociais

 

Relatório favorável à representação por quebra de decoro foi aprovado por 10 votos a 5

Uma decisão do Conselho de Ética da colocou a deputada Erika Hilton (-SP) sob risco de ter seu mandato suspenso. O colegiado aprovou o relatório que considera procedente a representação movida pelo partido Missão contra a parlamentar, sob a acusação de quebra de decoro parlamentar.

Origem da representação: publicação nas redes sociais

O caso tem como ponto central uma publicação feita por Erika Hilton em suas redes sociais no dia 11 de março de 2026. Na ocasião, a deputada havia acabado de ser eleita para a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher. Em resposta a críticas recebidas, ela publicou o seguinte texto:

“A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa […]. Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher. E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui”.

A expressão “imbeCIS” e a frase “podem latir” são os trechos especificamente citados na ação como ofensivos a mulheres cisgênero.

Votação no Conselho de Ética

O parecer favorável à representação foi elaborado pelo deputado Cabo Gilberto (PL-PB) e obteve aprovação com 10 votos a favor e 5 contrários. Caso a ação continue avançando nas instâncias da Câmara, a deputada pode enfrentar a suspensão de seu mandato.

Acusação aponta abuso de prerrogativas e linguagem desumanizadora

De acordo com o documento que fundamenta a representação, a postagem de Erika Hilton configura um “flagrante abuso das prerrogativas constitucionais asseguradas aos membros do Nacional”.

A ação vai além e classifica a linguagem utilizada pela deputada como misógina e desumanizadora. “No contexto da postagem, tal expressão equivale a tratar mulheres como ‘cadelas’, linguagem animalizadora, historicamente associada à e à desumanização, representando o exato oposto da da dignidade feminina”, afirma o documento.

A representação sustenta que, ao assumir a presidência de uma comissão voltada à defesa dos direitos das mulheres, a parlamentar deveria ter adotado postura compatível com a dignidade do cargo, e não o contrário.

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