Banco de Edir Macedo enfrenta cobrança de quase R$ 500 milhões

 


Notificação enviada por Roberto Campos Marinho Filho envolve ativos do fundo EXP 1 e amplia crise no setor

Às vésperas da amortização das cotas do fundo EXP 1, marcada para 28 de fevereiro, uma disputa societária coloca o banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, no centro de uma cobrança que pode se aproximar de meio bilhão de reais.

O impasse envolve o empresário Roberto Campos Marinho Filho, dono da Yards Capital e sócio do banco no fundo estruturado em fevereiro de 2025. Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira, 16, pelo portal UOL, ele notificou o Digimais para recomprar mais de R$ 460 milhões em ativos considerados sem lastro.

Como surgiu o conflito

O EXP 1 é um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) que nasceu com aproximadamente R$ 720 milhões. O Digimais ficou com 80% das cotas, enquanto os 20% restantes pertencem a Marinho Filho.

Para integralizar sua participação, o banco aportou Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) vinculadas a empréstimos consignados. Esses créditos teriam sido originados por três instituições financeiras que, meses depois, enfrentaram colapsos sucessivos: Banco Master, Reag e a holding Fictor.

Segundo Marinho Filho, os ativos entregues pelo Digimais apresentam problemas estruturais que justificariam a recompra prevista contratualmente.

Créditos sob suspeita

De acordo com o UOL, auditoria contratada pela Yards identificou mais de 20 mil CCBs com documentação considerada inadequada, somando cerca de R$ 315 milhões. Parte expressiva desses créditos estaria ligada à Fictor, empresa que entrou em recuperação judicial após anunciar tentativa de aquisição do Master.

Na notificação enviada ao banco, Marinho Filho sustenta que o contrato prevê a recompra dos créditos em caso de vícios estruturais. Ele afirma que há inconsistências de originação e falhas que comprometeriam a validade jurídica dos ativos.

O empresário também acusa o Digimais de ter interferido na cadeia de pagamentos, redirecionando valores que deveriam ser repassados ao fundo. Para ele, essa conduta pode caracterizar apropriação indevida.

Caso não haja recomposição financeira, Marinho Filho afirma que ampliará as medidas judiciais no âmbito da ação já em curso.

A posição do Digimais

O banco controlado por Edir Macedo contesta as acusações. Em nota reproduzida pelo UOL, o Digimais afirma que não existe coobrigação contratual que o obrigue a cobrir eventuais problemas nos créditos.

Segundo a instituição, a responsabilidade seria das entidades que originaram os empréstimos. O banco também declara ter transferido pouco menos de R$ 90 milhões ao fundo desde o início da operação, informando que comprovou judicialmente essas movimentações.

O Digimais acrescenta que não recebeu informações detalhadas sobre a política de investimentos e os critérios de precificação dos ativos adotados pela gestora.

Em paralelo, move ação contra Marinho Filho, alegando que o sócio teria retido valores pertencentes ao fundo sem prestar esclarecimentos.

Amortização e incertezas

A disputa ocorre em momento sensível. A amortização das cotas do EXP 1, prevista para 28 de fevereiro, é o procedimento que converte as cotas em recursos financeiros para os investidores.

Ainda não há confirmação se haverá liquidez suficiente para cumprir a operação. Parte dos valores relacionados às empresas envolvidas está bloqueada por decisões judiciais.

Turbulência no sistema financeiro

O caso amplia o impacto das turbulências que começaram com a liquidação do Banco Master e da Reag pelo Banco Central, além da recuperação judicial da Fictor.

O Digimais atravessa um processo de reestruturação interna e contratou o ex-presidente do Banco do  Aldemir Bendine para liderar os ajustes na instituição.

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